A ESPERANÇA TEM QUE TER A AUDÁCIA DO DESESPERO (MILLÔR FERNANDES)

sábado, 16 de julho de 2011

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A Fraude do Radicalismo

A cena é comum nessa época: o político de cenho franzido, punho fechado. “É preciso mudar o que está aí”, é o que dizem. “É preciso uma mudança radical”.

O Brasil é um país cheio de radicais. De pessoas completamente comprometidas com a causa da mudança, não se sabe muito bem do que, não se sabe muito bem como, mas não importa. O que importa é ser radical, intransigente, esbravejar. “Sou o defensor da baixada fluminense”, diz um.”Precisamos de reforma agrária já”, diz outro.

São os radicais da piada pronta. São radicais sem preparo, sem plano, sem entendimento básico de como funciona o mundo. “Vamos parar de pagar a dívida pública”, anuncia um deles, provavelmente sem saber que o dinheirinho que tem na caderneta de poupança faz parte desta dívida.

Os radicais fizeram uma belíssima Constituição que nos garante inúmeros direitos, e o país continua violento, injusto, corrupto. Proclamam-se como sagradas nossas crianças e adolescentes, que não podem ser presos ou punidos, mas mendigam pelas ruas e apodrecem em reformatórios medievais. Nossos legisladores radicais, incapazes de legislar, nos legaram um Código de Processo Penal que permite que assassinos confessos andem livres pelas ruas, uma Justiça arcaica que leva décadas para julgar processos simples, e legislações trabalhista e tributária campeãs de complexidade, regressividade e injustiça social.

Nossos radicais pagam R$ 765 de salário inicial a um professor no Rio de Janeiro, e R$ 900,39 ao soldado PM que arrisca sua vida pelas nossas.

Esse radicalismo é puramente eleitoral, fraudulento, descompromissado com a realidade. Os poucos que realmente querem mudar – os puros de coração – não sabem por onde começar, e quando são (raramente) eleitos acabam engolidos pelo monstro da máquina pública, ganham cargos de ministro e percebem que um ministro pouco pode fazer além de repetir palavras como “sustentabilidade” e vestir coletes coloridos.

O verdadeiro radicalismo é devolver o poder ao cidadão, é reduzir os impostos, é acabar com as mordomias, como os carros oficiais de R$ 145 mil ou as poltronas de R$ 2.6 mil comprados pelo STJ (processos STJ 8528/2007 e STJ 8722/2007). É reduzir a zero as centenas de milhões de reais torrados pelo Governo com propaganda, e com esse dinheiro pagar salários decentes a professores, médicos e policiais.

É acabar com o voto obrigatório, eliminando assim os currais eleitorais, para que o voto seja um gesto voluntário e consciente.

O resto é pura fraude

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O Preço da Democracia

Uma das frases mais comuns em inglês é "there is no free lunch", não existe almoço (ou nada) grátis. A frase, do economista Milton Friedman, significa que sempre há alguém pagando por algo que usufruímos de forma aparentemente grátis.

Assim como todas as coisas a democracia tem um preço, às vêzes bastante elevado. O preço é a (custosa) manutenção de um sistema eleitoral. Os votos são o instrumento de seleção de quem vai ter poder de decisão sobre nossas vidas.

Sinceramente me espanta, nesta época eleitoral, as reações de desgosto e nojo dos meus amigos diante dos pedidos (às vêzes patéticos, adimito) de votos pelos políticos. Queriam que eles pedissem o quê ? O voto é o instrumento de ascenção do cidadão ao poder executivo ou legislativo. É ponto central das democracias. As alternativas são os regimes de força, as ditaduras, sejam do proletariado ou dos plutocratas.

Sem voto o político não se elege. Portanto é totalmente legítimo não só que o político peça votos, mas que oriente todo o seu desempenho no cargo eletivo visando sua reeleição. Se não gostamos disso precisamos mudar nossa Constituição.

É claro que o sistema não é perfeito; ele torna o político vulnerável à corrupção (pois precisa de dinheiro para suas campanhas), força os eleitores a escolhas para as quais não estão preparados (ninguém conhece suficientemente bem os politicos em que vota) e permite a eleição de pessoas incompetentes, despreparadas e desonestas, pois não requer nenhuma prova de capacidade ou honestidade (ao contrário de um concurso público). Mas é, por enquanto, o melhor sistema que conhecemos. O sistema representativo eleitoral é como envelhecer: é uma droga, mas é melhor que todas as alternativas.

Isso não significa automaticamente a criação de uma classe política venal e incompetente. Isso só acontece quando a maioria dos candidatos é movida por interesses próprios, geralmente ilegítimos. Isso acontece quando os homens sérios e competentes estão ocupados demais para se envolver com política. Como diz outra frase famosa, quem não tem tempo para política vai ser governado por quem tem.

Estamos fundando um novo partido de cidadãos comuns. Veja nosso manifesto na causa Um Novo Partido Político - Brasil 2.0. Precisamos de 101 fundadores para protocolar uma petição no TSE; depois precisaremos de 400.000 assinaturas em nove estados.

Caríssimos, em vez de gastar seu tempo criando fazendas de mentirinha ou descobrindo tesouros virtuais no Facebook, juntem-se a nós. Chega de reclamar; juntem-se à nossa causa e tragam seus amigos. Lembrem-se disso cada vez que ligarem a televisão no horário eleitoral e virem os capadócios e oligofrênicos que são candidatos.

Vários deles serão eleitos. Pense nisso.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Um Atropelamento, Muitas Mentiras e a Hipocrisia de uma Sociedade



Aconteceu mais uma vez a pior tragédia que pode acontecer a um ser humano: perder um filho. O primeiro gesto tem que ser de solidariedade, de introspecção, de reflexão sobre nossas vidas que valem tudo e nada valem, sobre o mundo que desmorona em segundos.

Mas a tragédia pessoal é também a lembrança de uma tragédia maior e diária,  dos riscos insuspeitos que corremos todos os dias em nossas cidades violentas e mergulhadas na indiferença, na corrupção e na hipocrisia.

Ou alguém ficou surpreso com mais uma estória de corrupção policial, quando um soldado PM ganha menos de mil reais para enfrentar a morte todos os dias ? E quando o hábito mais difundido na sociedade brasileira é o suborno, que nos níveis inferiores se chama cervejinha, e na cobertura se chama "comissão" ?

Não é possível que andar de skate na rua escandalize tanta gente, quando vivemos numa cidade em que tudo é permitido - estacionar em qualquer lugar, jogar no bicho, comprar em camelô, jogar lixo na praia e na rua, urinar onde der vontade - e onde as modestas tentativas de impor um pouco de civilidade (o choque de ordem e a lei seca) são ridicularizadas pela maior parte da população e até pela mídia !

Vivemos com um Código Penal e um Código de Processo Penal do início do século passado. Só pobres coitados ficam presos - e mesmo assim, nunca por mais de 30 anos (não importa a barbaridade que tenham cometido), pois nossos políticos têm mais o que fazer.

A única reação digna à essa tragédia é arregaçar as mangas e trabalhar para mudar suas causas. Ou descobriremos, cedo ou tarde, que o skate, nesse caso, é quase uma metáfora das nossas vidas. Estamos, todos, andando de skate no meio do tráfego, todos os dias.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O Que Você Deve Perguntar ao Seu Político Favorito

Nosso dia-a-dia, nossas oportunidades e o futuro dos nossos filhos são determinados, em grande parte, pelas decisões que são tomadas por nossos representantes. As pessoas que elegemos para o Legislativo e o Executivo, por suas idéias, atos e omissões, contribuem para que nos tornemos uma sociedade mais justa, eficiente e pacífica. Ou não.

Nossa carga tributária é das maiores do mundo. Pagamos impostos excessivos sobre nossa renda (IRPF), nosso patrimônio (IPVA, IPTU, ITR, ITBI) e sobre tudo, absolutamente tudo o que consumimos (ICMS, ISS, II, IPI, CSLL, PIS, COFINS). Alguns desses impostos incidem sobre os outros, a legislação tributária é desconexa e arcana. Por determinação da Constituição, impostos não podem ter destinação específica – ou seja, o IPVA que você paga não é usado necessariamente na recuperação das estradas; ele pode ser usado para a compra de cadeiras de R$ 6 mil reais para um tribunal de contas, ou para instalação de hidromassagem em uma residência oficial.

Pergunte ao seu candidato: você vai reduzir os impostos ? Você vai diminuir os gastos públicos ? Você vai simplificar a legislação tributária ?

Nossa Justiça dispensa comentários. Pergunte ao seu candidato: você vai trabalhar para modificar o código de processo penal e a lei de execuções penais ? Ou a sentença máxima para os crimes mais bárbaros vai continuar sendo de 30 anos ? E presos por crimes selvagens vão continuar gerenciando seus negócios de dentro das cadeias, ter direito a visita de Natal, dia das crianças, etc, e sair após cumprir uma fração de suas penas ?

Aproveite e pergunte como um Policial Militar pode arriscar sua vida pelas nossas com um salário de menos de mil reais.

Pergunte quando acaba a hipocrisia de não permitir a prisão de criminosos menores de 18 anos, diante da total incapacidade do Estado de cumprir as determinações previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Pergunte porque secretários, deputados, senadores, juízes, desembargadores precisam de carros oficiais com 2 motoristas, quando a maioria dos cidadãos e mesmo de servidores públicos essenciais como médicos, policiais e bombeiros vão ao trabalho de ônibus ou trem.

Pergunte porque estados gastam mais de R$ 100 milhões anuais em propaganda e marketing. Porque o transporte municipal do Rio e outras cidades está mão de cartéis hereditários, que entopem nossas ruas de ônibus vazios e poluidores.

Eu aposto que as perguntas vão cair no vazio. Muita coisa boa tem sido feita no país nos últimos anos, mas as mudanças fundamentais que nos libertarão do jugo da política eleitoreira, da máquina publica ineficiente e corrupta e de uma justiça que virou um estado em si mesma, supremamente indiferente ao seu papel em uma democracia representativa – essas mudanças requerem um novo tipo de revolução.

A revolução de um partido criado pela sociedade e para a sociedade, limpo de todos os vícios acumulados na política tradicional que ainda se preocupa mais com conceitos de esquerda e direita do que com competência, honestidade, preparo.

Por isso nossas propostas revolucionárias:

• Um partido de cidadãos, sem políticos profissionais
• Servir publicamente dever ser um sacrifício; o fazemos pelos nossos filhos, pelas próximas gerações
• Candidatos a cargos públicos devem ter biografia ilibada, e competência necessária para exercer suas funções
• Nossa disposição é questionar verdades estabelecidas e dogmas sagrados.Vamos experimentar novas formas de fazer; se não der certo, passamos para outras.
• Simplificar, enxugar e reduzir o custo do Governo.
• Cargo eletivo não é profissão. Ao fim de um mandato o cidadão retornará ao partido para continuar sua contribuição de outras formas, preparando futuro candidatos e melhorando o planejamento do partido. Queremos como candidatos cientistas, médicos, enfermeiras, engenheiros de trânsito, carpinteiros, agricultores, biólogos, industriais.
• Não abraçamos nenhuma ideologia, nem as que se dizem de esquerda nem as de direita. Somos guiados pelo Humanismo e pela consciência de que vivemos em um planeta com recursos limitados e enormes desigualdades entre os povos. Nosso objetivo é criar um estado justo, eficiente e pacífico onde os indivíduos possam desenvolver suas vidas de acordo com seus desejos e competências, em busca da felicidade.

Por último, pergunte ao seu candidato como ele conseguiu acumular tanto patrimônio apenas com os vencimentos do seu cargo público.

Se as respostas não te satisfizerem, considere se juntar a nós. Ainda somos poucos, mas em breve seremos muitos, e criaremos uma força política cujo objetivo pode ser resumido em construir um país melhor para nossos filhos – os filhos de todos nós.

Seja Bem-vindo.

Comitê Organizador do Brasil 2.0 

Ensaio Sobre a Cegueira

É espantoso, alarmante e triste observar como pessoas inteligentes e bem informadas abandonam todo o senso crítico e capacidade de raciocínio quando falam de política. A inteligência e o raciocínio são substituídas pela fé.

Uma das definições de fé é a capacidade de acreditar em algo mesmo na ausência de evidências - ou até mesmo em face de evidências em contrário. Aproximam-se as eleições, e com elas as manifestações de fé do cidadão brasileiro nos seus políticos.

Políticos cujas vidas são uma sequência de manobras oportunistas apresentam-se como grandes estadistas. Políticos cujos patrimônios são 100% incompatíveis com suas histórias de vida são os guardiões do interesse público. Políticos que fazem campanhas milionárias estão profundamente preocupados com a distribuição de renda e a melhoria de vida dos pobres.

Então vai a minha sugestão: nessa eleição, abra os olhos. Não vote em candidato que tem em casa, em espécie, R$ 1 milhão. Não vote em quem contrata um "marketeiro" por R$ 32 milhões. Não vote em quem tem casa de praia, iate, jatinho, e foi homem público a vida inteira. Não vote em mágicos que multiplicam seu patrimônio miraculosamente.

Vote sem fé. Vote de olhos abertos.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

25 de Junho de 2010

Cidinha Campos na ALERJ. Vale a pena assistir. Às vêzes alguém fala a verdade

http://www.youtube.com/watch?v=610JBPXAUrU

Ipanema, Inverno 2010

O queijo e o incêndio

O que o incêndio do Morro dos Cabritos e o queijo coalho assado da praia têm em comum ? São dois exemplos da indiferença do carioca e do brasileiro em relação ao que é errado, são a materialização da filosofia "só é errado quando não me beneficia". O incêndio foi causado por balões, uma diversão idiota e perigosa que o carioca insiste em praticar. O queijo é assado em um braseiro que é carregado em meio à multidão de uma praia cheia (já vi uma criança queimar o braço, quantas outras devem se queimar todos os dias ?). Os espetos, afiadíssimos, ficam depois enterrados na areia, virando armadilha de guerrilha da selva. Mas tá tudo bom, tá tudo bem, o queijo vem com óregano, é gostosinho, que mal tem ? 

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

domingo, 4 de outubro de 2009

Artigo do Globo, 3 de Outubro de 2009, página 7

Refexões após um assalto ao lado

Meu filho de cinco anos interrompe meu telefonema aos gritos: “Papai, quatro bandidos na rua”. Minha mulher completa a história: invadiram o prédio vizinho, são três ou quatro bandidos, fizeram reféns. Da janela vemos a rua bloqueada por carros de polícia, homens armados de fuzis, sirenes.

De repente a discussão sobre violência – sobre crime – que faz parte do meu dia-a-dia de empresário, diretor de associação de bairro, cidadão e pai, se materializa no prédio ao lado. Conhecemos os dois lados do debate: de um lado a turma do bandido bom é bandido morto; do outro a turma do bandido coitadinho, que só age assim por falta de oportunidades. Já deveríamos saber que os dois lados estão errados.

Respeito aos direitos humanos é parte fundamental do combate ao crime, e a lei vale para todos. E criminalidade tem várias origens diferentes; a pobreza é certamente um dos fatores envolvidos, mas jamais o único ou o principal – se fosse assim os países ricos não teriam crimes. Tratar um bandido violento como vítima não é só desrespeito grave às vitimas verdadeiras – é também ignorar a noção de responsabilidade individual que norteia nosso sistema social e jurídico. A decisão de portar uma arma e ferir gravemente ou matar outro ser humano deve ter resposta adequada da nossa sociedade. Não tem.

É preciso melhorar as condições sociais para que o crime não prospere, policiar nossas comunidades para evitar que criminosos tenham oportunidades de agir, investigar os crimes cometidos e prender seus autores, julgá-los e condená-los com rapidez e mantê-los presos por tempo suficiente para que eles deixem de ser ameaça para a sociedade.

Falhamos em quase todos esses aspectos. Apenas uma percentagem pequena de nossos criminosos é capturada. Processos criminais demoram anos, com os criminosos aguardando em liberdade. As sentenças penais são absurdamente curtas, com uma série de regalias que permitem que criminosos perigosos gerenciem seus negócios da cadeia ou saiam livres após cumprir uma fração de suas penas.

A única saída é o envolvimento de toda a sociedade. A grave crise de segurança que vivemos pode ser vencida, como foi vencida a inflação. Mas são necessárias idéias novas, ousadia, arrojo. Que acordem nossos partidos políticos, gestores públicos, juízes, empresários, pesquisadores, líderes sociais. É hora de discutir um novo modelo sem preconceitos e sem ideologias, um modelo no qual a vida humana seja sagrada e a responsabilidade individual a base de tudo. Um modelo para amanhã.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

sábado, 18 de abril de 2009

sexta-feira, 10 de abril de 2009

As Armas da Primavera - Artigo do New York Times

Porte de armas de fogo é um problema grave nos EUA (embora as taxas médias de homicído lá sejam 5 vezes menor que no Brasil).

O artigo abaixo, do New York Times, é um exemplo da honestidade e objetividade com que os americanos discutem seus problemas.

As Armas da Primavera
Timothy Egan
The New York Times, 10 de Abril de 2009

Tradução de Roberto Motta, rmotta2@terra.com.br
(original em inglês: http://egan.blogs.nytimes.com/2009/04/08/the-guns-of-spring/)

Bam, bam, bam. Três mortos em Pittsburgh, policiais, todos eles, assassinados por um homem com um AK-47 que achou que o Presidente Obama iria tomar suas armas.


Bam, bam, bam, bam. Quatros mortos em Oakland, também policiais, suas vidas terminadas por um bandido condenado com um fuzil de assalto.

Bam, bam, bam, bam, bam. Cincos mortos no Estado de Washington, crianças moídas com uma arma de fogo por seu próprio papai, um covarde espancador de mulheres.

Bam, bam, bam, bam, bam, bam, bam, bam, bam, bam, bam, bam, bam. Trezes mortos em Binghamton, N.Y., imigrantes e seus professores massacrados por um louco com uma Glock e uma Beretta. Ele enviou um bilhete confuso, em inglês quebrado, exceto pelo final: “E tenha um bom dia.”

A vida americana na primavera de 2009 está cheia de esperança, dificuldades, e então isto: o câncer no centro de nossa democracia.

Em um mês de violência horrível até por nossos próprios padrões, 57 pessoas perderam suas vidas em oito massacres com armas de fogo. Os matadouros incluem uma casa de saúde, um centro para novos imigrantes, um quarto de criança. Antes foram uma igreja, uma faculdade, uma creche.

Ouvimos as notícias desses rascunhos de carnificina entre as novidades do mercado financeiro e os resultados do basquetebol — e damos de ombros. Somos o sapo na panela cuja água esquenta devagar até ferver, aceitando isso tudo um pouco de cada vez até que não conseguimos mais sentir coisa alguma. Nós damos de ombros porque isso é o combinado, certo? Esse é o pacto que fizemos, o preço da emenda constitucional número dois, logo depois da liberdade de expressão.

Nasci no oeste dos EUA e como tal sou sensível ao argumento de que, quando políticos se movimentam para proibir armas de fogo depois de um massacre público, eles freqüentemente atingem apenas os que portam armas legais, em obediência à lei. Armas de fogo no Oeste dos EUA são uma herança, “uma parte sagrada de Montana e algo que nós sempre lutaremos para proteger,” como os Senadores Jon Tester e Max Baucus, ambos Democratas, escreveram em uma carta recente para o Departamento de Justiça.


Mas, como alguém que perdeu um sobrinho para violência das armas, só consigo aceitar estes argumentos até certo ponto. Eles não são abstrações, um lado contra o outro. Não posso evitar de ver os rostos, pais que não têm mais uma criança para segurar, corações partidos, vidas destruídas quando escuto bam, bam, bam.

Uma mãe e sua menininha, fuziladas junto com oito pessoas em Samson, Alabama, mês passado, foram enterradas uma nos braços da outra — a natureza morta daquela segunda emenda.

No dia seguinte a uma destas atrocidades, nada é mais aterrorizante do que ver um defensor das armas correndo diante das câmeras para proteger o direito de um lunático de carregar armas e massacrar.


Se fosse manteiga de amendoim ou pistache matando pessoas às dúzias toda semana, já teríamos tomado providências. Basta olhar os recalls recentes. Mas Glocks e AKs — não podem tocar nelas. Então nos afogamos em armas de fogo: 280 milhões delas.

É isso aí, dizem os donos de armas de fogo, e se nossa taxa de homicídio é três vezes maior que a do Reino Unido e do Canadá, cinco vezes maior que a da Alemanha, esse é o trato. O preço. Como consolação, eu acho, existe o fato de que a taxa de homicídio tem estado estável por algum tempo, abaixo do pico dos anos 1980. Ainda assim, quase 17 mil americanos são assassinados todo ano — mais ou menos 70 por cento por armas de fogo — e 594.276 perderam suas vidas entre 1976 e 2005.

Os últimos capítulos envolvem cartéis mexicanos, que conseguem seu arsenal comprando de lojistas americanos, e os massacres desta primavera por atiradores que parecem ter adquirido suas armas legalmente. Fuzis de assalto tiveram papel de destaque nos assassinatos de sete policiais.

O atirador de Pittsburgh comprou seu AK-47 de uma firma on-line, que realizou a venda através de um negociante de armas de fogo licenciado, conforme exigido. Ele tinha, aparentemente, permissão legal para possuir estas armas de fogo, apesar de ter sido expulso dos fuzileiros navais por agredir seu sargento, e de ter uma ordem judicial para manter distância de sua ex-namorada.

Tudo o que um cidadão pode fazer é pedir um pouco de bom senso em torno da Segunda Emenda. A proibição de venda de fuzis de guerra, que tornava ilegais 19 armas de estilo militar que nenhum caçador decente usaria, devia ser restabelecida. O presidente Bush e o Congresso a deixaram expirar em 2004, embora ela fosse uma dádiva de Deus para os policiais, e fosse apoiada pela maioria dos donos de arma de fogo.

Para os senadores que apóiam fuzis de guerra enquanto falam da “parte sagrada de ser de Montana,” vocês não querem este tipo de herança. Humilha vocês permitir acesso fácil a armas que matam inocentes, e causa um desserviço para a história.

Herança? As cidades do velho oeste como Dodge City tinham um rígido controle de armas de fogo, obrigando as pessoas a deixar suas armas na entrada da cidade.

E os negociantes de arma de fogo, eles deviam ser punidos por fazer negócios com traficantes ou bandidos condenados. Leis de extorsão federais neles. Tornemos tão difícil para um agressor de mulheres ou um criminoso conseguir um AK como é conseguir uma carteira de motorista.

O resto de nós só pode lamentar e encolher os ombros, marcando tenebrosos aniversários: Virgínia Tech, Columbine, e outro, e outro, e outro.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O problema do lixo em Ipanema

Parque Garota de Ipanema em um domingo de verão. Observem o funcionário do quiosque, no lado direito, urinando no canteiro.


Final de dia no Posto 8.


Papeleira do Parque Garota de Ipanema.


Lixo na Pedra do Arpoador.




As papeleiras são inadequadas ao volume do lixo.




Nos finais de semana de verão, antes do meio-dia as lixeiras já transbordam.





Joga o lixo ali mesmo, que depois o gari leva.







Será que alguém da Comlurb sabe que cocos são vendidos na praia ?






Longos trechos sem lixeira = lixo na areia



Porque não colocar na areia cestos de palha para recolher o lixo? São grandes, bonitos, biodegradáveis e artesanais.








domingo, 25 de janeiro de 2009

Parque Garota de Ipanema - JB de hoje

A garota de Ipanema demora para se maquiar - Lentidão na reforma do parque atrai moradores de rua

Felipe Sáles

Depois da notícia ser recebida com festa pelos moradores da região, a reforma do Parque Garota de Ipanema – que ocupa uma área de 2,58 hectares no coração do Arpoador – já começa a causar preocupação. A conclusão das obras, inicialmente prevista para janeiro, foi estendida para até o fim de fevereiro e, antes mesmo da esperada reinauguração, o local já voltou a ser habitado por moradores de rua.

De acordo com o Instituto E – que adotou o parque em 31 de julho último e iniciou as obras em 21 de outubro – a reforma atrasou principalmente por causa das chuvas. Segundo a assessoria do instituto – que iniciou a recuperação do parque após anos de abandono – os constantes temporais dos últimos dias atrapalharam, principalmente, a pavimentação do solo e a realização de soldas.

Além disso, o instituto elegeu como prioritária a parte baixa do parque, por onde transitam muitas pessoas em direção ao Arpoador. A parte de cima ainda está em fase de captação de recursos e, por ora, não há nenhuma empresa interessada em reformar o local.

Moradores preocupados

Embora não tenha em mãos o cronograma das obras, o diretor da Associação de Moradores de Ipanema, Roberto Motta, considera que a reforma não vem tendo a agilidade que deveria, mas fez questão de frisar a importância da adoção do parque.

– Nossa impressão é de que o ritmo não está sendo como gostaríamos – admitiu Motta. – Mas foi uma satisfação muito grande a adoção do parque, vemos que a empresa de fato está se dedicando. Além do mais, eles estão lidando com uma herança de anos de descaso.

Cinco moradores de rua – alguns aparentemente alcoolizados – ainda freqüentam o local, a despeito da presença constante de pedreiros e homens da Comlurb. Para Motta, os próprios moradores tornam-se responsáveis pela presença a partir do momento em que dão esmolas. A associação já vem estudando um projeto para retirar a população de rua do local.

– Muitas cidades do mundo conseguiram acabar com o problema ocupando o espaço público – lembrou Motta. – Vamos levar aulas de capoeira, jardinagem, enfim, qualquer tipo de evento que faça a população ocupar o espaço. Com isso, os próprios mendigos não se sentirão à vontade em ficar no local.

Uma das iniciativas estudadas, por exemplo, é fazer com que parte das aulas de surfe sejam ministradas no local. Em outubro, logo após a adoção do parque, cerca de 30 pessoas protestaram contra o desalojamento do depósito de pranchas do projeto Favela Surfe Clube. O surfista Jean Carlos, 33 anos – que dá aulas gratuitas a cerca de 40 crianças carentes – teme que o projeto acabe caso o depósito seja de fato fechado com a reabertura.

– Se formos desalojados, não vai ter jeito, o projeto vai acabar – disse. – Estou há 16 anos fazendo isso, e só pedimos em troca que a criança freqüente a escola.

O Instituto E informou que também apóia a conciliação do parque com a comunidade. A empresa e a Grendene destinaram R$ 700 mil à obra, provenientes da venda das sandálias Ipanema. O parque completou 30 anos em 2008 e integra a Área de Proteção Ambiental entre Copacabana e Ipanema. A adoção inclui ainda a manutenção do parque até 2010.

Com a reforma, o parque vai ganhar pistas de skate e novo paisagismo, além de mobiliários urbanos, recuperação de vigas, recuperação de muretas e reforma dos brinquedos e gradis.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Rio de Dezembro


Artigo da revista The Economist sobre a comprovação científica da Teoria da Janela Quebrada (Broken Windows)

Jogue a Lata no Lixo
20 de Novembro de 2008
Da revista The Economist, edição impressa
Tradução de Roberto Motta
A idéia de que pichações e outras formas de pequena delinqüência estimulam o mau comportamento social acaba de ser testada experimentalmente

Um local coberto de pichações e cheio de lixo faz com que as pessoas se sintam inseguras. E por uma boa razão, de acordo com um grupo de pesquisadores na Holanda. Kees Keizer e seus colegas da Universidade de Groningen deliberadamente criaram ambientes degradados como parte de uma série de experimentos projetados para descobrir se sinais de vandalismo, lixo e pequenos crimes podem mudar o comportamento das pessoas. Eles descobriram que sim, e por uma grande margem: ambientes degradados duplicam o número de pessoas dispostas a sujar as ruas e roubar.

A idéia de que observar desordem pode ter um efeito psicológico nas pessoas não é nova. No fim dos anos 80 George Kelling, um ex-oficial de justiça que agora trabalha na Universidade Rutgers, iniciou uma rigorosa campanha para remover pichações do Metrô de Nova Iorque, o que resultou em uma redução nos crimes menores. A idéia também serviu como base para a “Tolerância Zero” que Rudy Giuliani trouxe mais tarde para as ruas da cidade, ao se tornar prefeito.

Muitas cidades e comunidades no mundo inteiro estão agora tentando controlar comportamentos anti-sociais como forma de deter o crime. Mas a idéia permanece polêmica, dada a dificuldade de se considerar outros fatores que influenciam a criminalidade como mudanças no nível de pobreza, condições de moradia e política penal – incluindo até, de acordo com alguns, a eliminação do chumbo da gasolina. Um teste experimental da “Teoria da Janela Quebrada”, nome dado pelo Dr. Kelling e seu colega James Wilson à sua idéia, vem, portanto, em boa hora. E é isso que o Dr. Keizer e seus colegas fizeram.

O nome da teoria vem da observação de que algumas janelas quebradas em um prédio vazio levam rapidamente a mais vidros estilhaçados, mais vandalismo e, mais tarde, arrombamentos. A tendência das pessoas a se comportar de uma determinada forma pode ser reforçada ou enfraquecida, dependendo do comportamento que elas observam nos outros. Isso não significa que as pessoas irão copiar exatamente o comportamento ruim que estão vendo, passando a mão em uma lata de tinta spray assim que encontram pichações. Na verdade, diz Dr Keizer, observar comportamentos anti-sociais estimula a “violação” de outras normas de comportamento. Foi este efeito que os experimentos, que acabam de ser publicados na revista Science, foram projetados para testar.

A primeira pesquisa foi feita em um beco utilizado para estacionar bicicletas. Como em todos os outros experimentos, os pesquisadores criaram dois ambientes: um de ordem e outro de desordem. No ambiente de ordem, as paredes do beco foram pintadas; no ambiente de desordem, elas foram cobertas com pichações (feias, para evitar que fossem consideradas arte). Em ambos os casos um grande aviso proibindo pichações foi colocado, de forma a ser visto por qualquer passante. Todas as bicicletas estacionadas tiveram um folheto promocional (de uma loja de esportes fictícia) pendurado no guidão. Era necessário remover o folheto antes que a bicicleta pudesse ser usada.

Quando os donos voltaram para pegar suas bicicletas, seu comportamento foi observado. Não havia latas de lixo no beco, portanto os ciclistas tinham três escolhas. Eles poderiam levar o folheto consigo, jogá-lo no chão ou pendurá-lo em outra bicicleta (o que foi considerado pelos pesquisadores como equivalente a jogá-lo no chão). Quando o beco estava pichado, 69% dos ciclistas jogaram folhetos no chão, comparado com 33% quando as paredes estavam limpas. Para evitar uma possível distorção – a de que lixo gera lixo – os pesquisadores removiam rapidamente cada folheto descartado.

Os outros experimentos foram realizados de uma forma similar. Em um deles, uma cerca foi usada para bloquear o acesso a um estacionamento, deixando apenas uma abertura estreita. Dois avisos foram colocados, um informando que a passagem pela abertura era proibida e outro dizendo que bicicletas não deveriam ser presas à cerca. No ambiente de “ordem” (com quatro bicicletas estacionadas, mas nenhuma presa à cerca) 27% das pessoas desobedeceram ao aviso de passagem proibida e utilizaram a abertura para acesso ao estacionamento. No ambiente de “desordem” (com as quatro bicicletas presas à cerca) 82% das pessoas utilizaram a abertura.

Os efeitos não se limitaram à observação visual de pequenos delitos. É contra a lei na Holanda soltar fogos nas semanas que antecedem o Ano Novo. Portanto, duas semanas antes da data os pesquisadores soltaram rojões ao redor de um estacionamento de bicicletas em uma estação ferroviária e observaram os resultados, usando a técnica do folheto promocional. Sem rojões, 48% das pessoas levaram os folhetos consigo, ao pegar suas bicicletas. Com rojões, esse número caiu para 20%.

O resultado mais dramático, entretanto, foi o que mostrou que dobra o número de pessoas dispostas a roubar em uma situação de desordem. Neste caso, um envelope com uma nota de 5 euros (visível através de uma janela de plástico) foi deixado semi-enfiado em uma caixa de correio. Na condição de ordem, 13% dos passantes levaram o envelope (roubo). Mas se a caixa de correio estivesse coberta de pichações, esse número subia para 27%. Mesmo se a caixa não estivesse pichada, mas a área ao redor estivesse suja de papel, cascas de laranja, pontas de cigarro e latas vazias, 25% levariam o envelope.

A conclusão dos pesquisadores é que um exemplo de desordem, como pichações ou sujeira, pode efetivamente estimular outro, como roubo. O Dr. Kelling estava certo. A mensagem para gestores públicos e policiais é que limpar pichações ou coletar lixo imediatamente pode ajudar no combate ao crime.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Hoje - 4 de Dezembro de 2008


Atendendo a Pedidos


Atendendo a inúmeros pedidos de todo o Brasil, segue ai em cima uma imagem do Rio de Janeiro nesse fim de primavera.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Até Que Emfim - Parabéns ao Cel. Milan

Polícia Militar não vai autorizar festa de réveillon em Ipanema


Publicada em 27/11/2008 às 23h36m no Globo Online


Ruben Berta

RIO - O comandante do 23º BPM (Leblon), coronel Carlos Milan, afirmou nesta quinta-feira, durante reunião do Conselho Comunitário de Segurança da Zona Sul, que não vai autorizar a realização da festa de réveillon na orla de Ipanema. Ele disse que enviou relatório ao comando da Polícia Militar e ao Ministério Público estadual relatando uma série de problemas ocorridos no evento do ano passado. O delegado José Alberto Pires Lage, titular da 14ª DP (Leblon) e a associação de moradores do bairro também se manifestaram contra a festa.


- No ano passado, já houve uma série de problemas, tivemos que pedir reforço ao Batalhão de Choque. Se fosse um evento para a família, com o apoio da comunidade, eu autorizaria, mas o que vimos ano passado foi cidadãos tolhidos até no direito de ir e vir - disse Milan. A festa deste ano está programada para ter 12 horas de atrações voltadas para o público jovem, com DJs tocando músicas eletrônicas. Na virada para 2008, um jovem foi morto com um tiro no abdômen, na Avenida Vieira Souto, próximo ao Posto Nove.


Até que enfim. Será que a posição do Cel. Milan vai prevalecer ?


A comemoração já acontece em Copacabana, onde é feita com profissionalismo (geralmente). Em Ipanema o que se viu foram os piores exemplos de sujeira, selvageria, caos urbano e crime (incluindo uma morte). Para refrescar a memória segue uma foto daqueles dias abaixo. Entre outras coisas, camelôs e ambulantes de todos os confins do Rio convergiram para a Vieira Souto, contribuíndo para a sujeira, o perigo (repare no braseiro aceso no calçadão - bem legal, até que seu filho venha correndo e esbarre nele) e a balbúrdia (cerveja e todo o tipo de bebida vendida a cada 5 metros).


domingo, 23 de novembro de 2008

Teoria da Tolerância Zero (Broken Windows) comprovada pela Ciência

Pesquisadores da Holanda comprovaram a veracidade da teoria da Tolerância Zero (Broken Windows, em inglês): a de que um ambiente urbano degradado conduz ao aumento da criminalidade.

Essa teoria, popularizada pelo sucesso de Ralph Giulianni à frente da prefeitura de Nova Iorque (redução dos homicídios de 2.000 ao ano - a realidade do Rio de Janeiro de hoje - para menos de 500) nunca havia sido comprovada experimentalmente. Agora foi, através de uma série de experimentos cuidadosamente projetados, sem deixar dúvidas.

A notícia vem de um artigo da The Economist dessa semana: clique aqui para lê-lo (em inglês).

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Guardadores de Carros

Há muito quero dizer aqui a verdade sobre guardadores de carros. O Ricardo Linhares, em um artigo de O Dia de hoje, diz tudo o que eu quero dizer. Alguns trechos:

"Flanelinha não é profissão. É atividade de meliante. Essa é uma das faces da desordem urbana..."

"Por que o carioca é tratado com tanta falta de respeito? O prefeito, o Sindicato dos Guardadores de Automóveis, o Tribunal de Contas do Município e a Embrapark trocam acusações, mas nada é resolvido."

Vejam o artigo completo aqui.

Guardadores são achacadores, ponto. Só pagamos porque temos medo, de agressão e de danos ao veículo. Eles não prestam nenhum serviço. É triste ver que existem cariocas esclarecidos que prestigiam guardadores, deixando até as chaves de seus carros com eles (como acontece com frequência no centro da cidade).

A cidade poderia estar ganhando uma fortuna se utilizasse algum sistema sério de cobrança por uso de vagas. Ao invés disso, temos mais uma Máfia achacando os cidadãos.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Blog do Noblat - Estrutura política local dos EUA

Do Blog do Noblat:

O modelo de administração pública, nos Estados Unidos, é substancialmente diverso do brasileiro. A ponto de não permitir comparações cômodas. Diferente do Brasil – com territórios bem definidos em União, Estados e Municípios –, lá temos 51 Estados (considerando Washington DC), 3.034 Condados (Countys), 19.429 entes municipais (divididos em Citys, Towns e Villages), 16.504 distritos municipais (Townships ou Towns), mais 13.506 Escolas Distritais e 35.052 entes específicos de gestão (policia, corpo de bombeiros, bibliotecas).

Esses núcleos se estruturam diferentemente, segundo legislação de cada Estado, a partir da Décima Emenda (à Constituição), levando alguns Estados a sequer ter qualquer governo local, como Alaska (em parte), Conenecticut ou Rhode Island. Lazy Lake, na Flórida, tem 38 habitantes. Nova Yorque, 8 milhões. Difícil de comparar pois as estruturas não são iguais.

Veja o resto aqui

Noblat diz que nossos vereadores são um desperdício de dinheiro publico (cada gabinete de vereador tem 20 funcionários).

Concordo inteiramente. Mas tem coisa pior. Alguém pode me dizer se juiz americano tem carro com motorista pago pelo estado ?

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A Ex-Classe Média, artigo do New York Times

David Brooks, do New York Times, diz que a crise que está chegando (e que cada vez mais gente diz que vai ser longa e profunda) vai afetar principalmente aqueles que acabaram de entrar para a classe média - e que logo terão que abandoná-la.

"Essa recessão terá perfil social único. Especificamente, é provavel que produza um grupo social novo: a ex-classe média. São pessoas que atingiram status de classe média no rastro do longo período de prosperidade, e então perderam esse status. Para elas, o fosso entre sua situação atual e onde costumavam estar parecerá largo e desanimador.

Esse fenômeno is percepitivel nos países em desenvolvimeno. Na última década, milhões de pessoas nessas sociedades saíram da pobreza. Mas a recessão global está as empurrando de volta pra baixo. Muitas estão furiosas com a democracia e o capitalismo, que responsabilizam por seus sonhos desfeitos. É possível que a crise produza uma profusão de Hugo Chávez".

Veja o artigo completo aqui.

É aguardar pra vez. Eu não sou adivinho, e mal entendo de economia, mas senti que alguma coisa estava errada quando vi a recepcionista do consutório do médico da minha mãe discutindo os preços das ações da Vale e Petrobrás, o pré-sal e as exportações de minério para a China.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Gestão Pública e Máquina Administrativa - do Ex-Blog do César Maia

Uma excelente matéria (reproduzida aqui em parte) do Ex-Blog do César Maia de hoje.

Ex-Blog do Cesar Maia 14/11/2008
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GESTÃO E ESTRUTURA ADMINISTRATIVA! OS EIXOS VERTICAL E HORIZONTAL!

1. Artigos sobre gestão, em especial do setor público, analisam a dinâmica e as interações entre a capacidade de gestão e a complexidade da estrutura administrativa. Para o entendimento, desenhemos um gráfico onde o eixo vertical representa o índice de capacidade de gestão, de zero a cem, e o eixo horizontal, outro índice de zero a cem, representando a complexidade da estrutura administrativa.

2. Quando se toma a decisão de ampliar a máquina administrativa, com mais órgãos ou serviços e assim se avança ao longo da linha horizontal, deve-se perguntar de que forma a capacidade de gestão, na linha vertical, se comportará. Ou seja, ao se expandir a máquina administrativa deve-se fazê-la aprofundando a capacidade de gestão. Ou não fazer.

3. No setor público pode-se dar de três formas. Duas compulsórias, sejam por demandas de uma população que cresce, sejam por serviços que se fazem necessários pelo bem (defesa ambiental...), ou pelo mal (aumento da criminalidade). A terceira forma é por decisão autônoma do setor público que entende que desta forma prestará melhores serviços à população.

4. Quando não se antecipa a ampliação compulsória da necessidade de mais serviços e com isso não se aprofunda a capacidade de gestão, o índice no eixo horizontal se desloca em direção a 100, mas no eixo vertical se desloca na direção de zero. O ponto de projeção se torna mais próximo de zero no eixo vertical e mais perto de 100 no horizontal. Quando isso ocorre, piora a qualidade dos serviços, diminui a produtividade e aumentam os custos.

5. As crises nas áreas de segurança pública e de saúde no Brasil são exemplos de expansão horizontal sem expansão vertical, reduzindo a capacidade de gestão e tornando crítica a oferta de serviços.

6. De pouco adianta os governos, novos ou antigos, pensarem em mais recursos e mais programas, se não pensarem preliminarmente na complexidade administrativa advinda e na capacidade de gestão correspondente.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Continua a Temporada de Caça em Ipanema

Abaixo o relato de uma de nossas líderes comunitárias, narrando a situação no Posto 8, que já ganha contornos trágicos.

Em menos de 24 horas os freqüentadores do Ipa Bebê, um parquinho freqüentado por bebês e crianças próximo ao Posto 8 de Ipanema, presenciaram 4 assaltos.

Nos dois primeiros, por volta das 8:30h da manhã, dois rapazes na mesma bicicleta, um deles armado, levaram o celular de uma moça e a mochila de uma outra pessoa mais a frente. A moça, de tão desesperada, passou por cima da cerca dos bebês aos prantos e gritando. Assim que cheguei na praia na mesma hora liguei para 190 e descrevi a roupa e o modelo da bicicleta. Para minha "surpresa", eram os mesmos rapazes que eu havia visto na entrada do corredor do Arpoador na semana passada. Estavam com a mesma blusa e a mesma bicicleta. Avisei a dois PMs da delegacia de turistas que passavam pela Joana Angélica.

Logo apos ligar para o batalhão para pedir reforço policial por volta das 10:00h, eu e mais 4 testemunhas vimos um outro rapaz sem camisa, de bicicleta, na calçada entre as pistas, retirando da árvore uma faca e colocando dentro do short. Novamente liguei para 190 e dei todos os detalhes, mas a demora em registrar os meus dados deu a esse individuo a oportunidade de assaltar algum pobre coitado.

Os outros dois assaltos foram os mais comuns cometido contra os turistas. Enquanto eles foram à água, os assaltantes agiram com rapidez e carregaram a bolsa com todos os pertences das vitimas. A petulância de um dos assaltantes foi passar por dentro do parque das crianças para fugir. Como teve dificuldade de passar por entre os brinquedos chegou a cair do calçadão tentando escalar a mureta. Percebi que com a colocação da cabine no final do Arpoador os assaltantes resolveram chegar mais para perto da Joaquim Nabuco para poder fugir pela Francisco Otaviano, ou seguir direto pela Teixeira de Melo.

Com a chegada do final de ano e com tantos turistas, temo por nós moradores e pais que utilizamos esse espaço para o lazer dos nossos filhos. A qualquer momento, se não houver repressão a essa gangue de bicicleta, uma nova tragédia vai aparecer na mídia.

Precisamos de policiais em pontos determinados, como na entrada do Arpoador, na saída da Praça Garota de Ipanema , no corredor da Francisco Otaviano e caminhando entre os postos. Eles esperam os triciclos passarem ou os carrinhos que andam no calçadão darem a volta para poder ter tempo de praticar mais um delito sem serem incomodados