Eu Tenho Um Sonho - 2

O outro ponto de vista do qual discordo é de que “tudo é culpa do governo”.


O governo é um grupo de representantes legais e administradores públicos, alguns eleitos pelo voto da população, outros contratados como servidores da máquina administrativa.


O governo é um reflexo do povo. As práticas do governo são as práticas do povo. A honestidade do governo é a honestidade do povo. O povo brasileiro – que suborna o guarda, compra carteira de estudante, dirige embriagado – não pode ter um governo da Noruega.


Mas se não acredito que “tudo é culpa da sociedade”, nem que “tudo é culpa do governo”, em que eu acredito ?


Eu acredito nisso: que cada cidadão é uma micro representação do seu país. Que é com os gestos pequenos, diários, repetidos geração após geração que se constrói uma nação. Que é preciso, diariamente, mais do que protestar contra o que está errado, impedir que o erro aconteça.


Eu proponho um sonho: e se ao invés de reclamar da atuação da polícia, os cidadãos de cada bairro do Rio de Janeiro procurassem conhecer o batalhão da Polícia Militar, a Delegacia e o grupamento da Guarda Municipal que servem o seu bairro ? E se soubessem os nomes do comandante, dos oficiais, do delegado, dos inspetores ? E se esta convivência criasse intimidade, e se ficasse claro então quem são os bons e os maus policiais, e se os policiais e a comunidade discutissem juntos os problemas do bairro e como enfrentá-los ?


E se, desta forma, subitamente os policiais se descobrissem respeitados, queridos, encorajados ? E se, como resultado, melhorassem seus salários, seus equipamentos, suas condições de trabalho ?


Está na hora de passar da reclamação estéril à ação produtiva.


É nisso que acredito.


Eu tenho um sonho.